Vez ou outra, eu gosto de postar um texto mais descontraído, e bem próprio do universo feminino. Homens amigos leitores, se não interessar, pode passar. Mas geralmente é um conteúdo sincerão e uma pontinha de conhecimento dessas criaturas tão interessantes e tão indecifráveis, que são a mulherada.

Aprendi essa semana uma nova expressão gringa, mas que tem sido usada pela geração Z e por muita gente da Internet:  “pick me girl”.

O que é uma “pick me girl”? Como o termo explica em inglês, me escolha, me escolha por favor. É a mona que faz de tudo para ser notada e escolhida pelo homem. Se desvirtua de como ela é para construir um personagem que pode ser mais interessante aos machos em volta. Pura enganation.

E as atitudes dessa mona são mais sutis do que ela imagina. Não é ser peão de Barretos e tentar laçar o macho a qualquer custo, não é vestir roupas ultra decotadas e sair toda noite a procura de parceiros. Essas são descaradas, autênticas e divertidas.

Acho que a melhor representação da Pick me Girl é a personagem Carrie, interpretada pela Sarah Jessica Parker, da série Sex And the City. Quem assistiu a série sabe que Carrie faz de tudo para ser escolhida pelo seu desejado Mr. Big. Então ela se faz de donzelinha, trabalha exaustivamente seu discurso para parecer enigmática e interessante, e mulherzinha para encantar o homem. Com as amigas, ela admite que finge quem ela não é para achar que está conquistando o bofe.

Percebi que todas nós, inclusive eu, nos fazemos de Pick me girl , para a maioria dos homens, até para aqueles que nem sabemos se estamos interessadas. Só para o ego de imaginarmos que ele está se encantando por nós. Ai, mulheres…

Eu sou cônsul de um grupo de só mulheres numa comunidade de expatriados. Faço eventos periódicos, geralmente num café ou restaurante para falar da sororidade feminina, e já tive uma confraria que abrigou mais de 50 mulheres num único evento. De antemão , muitas amigas minhas já se excluem, porque não admitem sair de casa para não ter a mínima esperança de encontrar um boy. Ok, cada um com sua diretriz.

Mas realmente um ambiente livre de boys deixa a gente mais livre para sermos quem quisermos. Já fiz a experiência e posso dizer: a mulherada muda na frente dos boys. Sempre. Autenticidade zero. Inclusive eu, sinceridade aqui sempre.

É notória como entre nós, mulheres, somos completamente livres, pedimos todas as comidas gostosas do cardapio, falamos de temas de menopausa, gordura no fígado, envelhecimento, rimos alto, não paramos de falar. Mas nas frente dos homens, de qualquer um, a gente muda.

O que fazemos? A gente fica mais mascarada. Se faz de bonita, muda os gestos. Confissões: já vi amigas que nunca pediram uma vegetação em 1000 jantares e vem pedir bastonetes de cenoura e aipo para se fazer de fitness da frente de algum macho. Se entope de refrigerante o ano inteiro e pede um suco verde para ser a saudável. Aliás, tem uma piada de um comediante que acho o máximo, o Thiago Ventura. Quando ele conheceu a namorada dele, comia que nem um passarinho. Com 6 meses de namoro, a mulher não come um prato, come uma caçamba de alimentos.

Mais: contamos histórias levemente manipuladas para ser imaginada como uma desejada, interessante, cuidadora, amável, melhor amiga.

Inventamos interesses que nunca tivemos por esportes, filmes, músicas, shows.  Eu? Uma vez, numa conversa animada com um boy numa viagem, inventei que fui num show de rock que ele estava . Inventei sensações, o perrengue de chegar.  Mentira completa não era, porque eu gosto realmente do gênero. Mas só para completar e engajar a conversa, que mal faz?

Pois é, até eu, a tão falada feminista, empoderada e tal, me faço por vezes de Pick me girl. Eita.

Deveria dizer que com a idade,  a gente cria mais autoconfiança e afirmação para sermos menos pick me girls, sermos mais autênticas. Balela. Tudo a mesma coisa. Pelo menos no início. Acho que ficamos ainda mais mascaradas. Porque a  beleza da juventude não é a mesma, e temos que usar outros artifícios para a arte da conquista.

Apesar da honestidade, devo dizer que não vejo isso como uma coisa positiva.

Primeiro porque os homens ficam confusos, afinal o que é verdade e o que se esvai depois de meses de convivência?  A princesa do primeiro encontro virou uma bruxa rabugenta e que de repente não tem mais nada de encantador? Nossos interesses não são os mesmos? A mina achava o máximo os episódios do Chaves em Acapulco e agora acha de pessoa infantilóide?

Segundo, ficamos exaustas tentando segurar um personagem que não é o nosso. Depois culpamos os homens porque não somos autênticas com eles, e temos que sustentar nossa porção mulherzinha que nunca foi nossa.

Terceiro, como todas as mulheres fazem isso (não conheço uma que não faz), a gente fica presa junta numa roda de mentirinhas e achismos . Ninguém larga a mão de falsiane de ninguém.

Espero que num futuro próximo a gente deixe de ser Pick me girl e normalize nossa ogra interior. Somos mais Fiona do que Cinderela, na real. Pediremos frango Frito, comidas com muito alho e cebola, Picanha com a capa de gordura e sim, comeremos com as mãos porque é muito mais gostoso. Vamos dizer na lata que Chaves e Chapolin a gente gostava quando tinha 7 anos, e só.  A gente caga todo dia (graças a Deus) e sim, temos gases às vezes.

Vamos fazer um trato , homens? Vocês aceitam e celebram a mulher autêntica da descrição acima, e nós parmos de fingir e fazer de mocinhas. Todo mundo ganha.

Obrigada. Beijo no coração de vocês.