Este ano, acabei ficando em São Paulo e pensei seriamente em investir o dinheiro que economizei numa possível viagem em camarotes badalados, festas incríveis e bloquinhos pela cidade.

Essas promessas de badalação em minha cidade foram por água abaixo quando minha amiga sugeriu que viajássemos para Aracaju, no Nordeste, a única cidade de lá que ainda não conhecíamos.

Era promissor: a passagem estava 1.500 reais (uma pechincha considerando que era época de carnaval) e hospedagem com vagas  à vontade.

Fechamos um pacote por 4.000 reais por pessoa, com passagem de voo direto, e 4 noites num hotel 4 estrelas com piscina e café da manhã, o Aquarios, bem na Orla.

Chegamos numa sexta feira cedinho, bem chuvoso, mas como em todo Nordeste, logo o tempo abriu e fomos caminhar na Orla.

A primeira surpresa não tão agradável é que a Orla da praia não é tão próximo da praia assim. Ficamos no bairro de Atalaia, o mais recomendado pelas agências de turismo. Existe um calçadão bem estruturado, mas sem muitos atrativos, e para chegar a areia, haja pernas. Como o Projeto Tamar (das tartarugas) é lá mesmo, creio que por isso o aterramento foi feito para preservar o lugar.

Portanto, o fato do hotel (e de todos os de Atalaia) serem beira-mar, não é muito vantajoso, porque a praia da frente é longe, sem estrutura de guarda sol e barracas, e principalmente: xoxa.

É incrível como um Estado que está entre outros Estados com as praias mais lindas do país (Alagoas e Bahia) teve a infelicidade de ter praias com mar escuro , meio barrento , areia escura, ondas fortes e mar perigoso. Não ajuda o visual de terem também muitas plataformas de petróleo espalhadas pelo litoral inteiro. Não à toa Aracaju é considerado o “patinho feio” do Nordeste.

Os guias de turismo dizem que a água do mar é limpíssima e a cor escura se deve porque a areia é muito fina. Mas o Caribe também tem areia fina e a água é transparente. De qualquer forma, nem os locais se banham na praia. Seja pela cor não tão convidativa, seja porque as ondas eram muito fortes.

No primeiro dia, fomos reconhecer o local: demos uma bela caminhada na praia (vazia), chegamos depois de 1 hora até as barracas de praia. A água de coco é preço de SP (12 reais) e o caranguejo veio mirradinho, tadinho. Saudades do Coco de Vitória que custava 5 reais.

Existe alguns centros de Artesanato espalhados pela Orla, que têm bastante variedade, mas devo dizer que muitas das peças já vi vendendo no Brás, em São Paulo. Esse creio que é o mal da importação em massa da China. Acabam fagocitando todo o artesanato local.

Voltamos para o Hotel, que aliás é bem honesto, porém antigo, e fomos jantar no República dos Camarões, e daí vimos que Aracaju pode ser de fato, bem acessível, pois o restaurante é lindo e os pratos, bem servidos com preços bem justos.

Fechamos 3 passeios, já que tínhamos tempo de sobra na cidade, e vimos que a praia não era um dos seus grandes atributos.

Fechamos passeios em lancha (tem catamarã mais barato) para Ilha dos Namorados, Croa do Goré e por do sol na prainha, Cânions de São Francisco, e City Tour.

Bem, aqui é um blog pessoal, e não sou blogueira patrocinada. Então desculpe os colegas do Nordeste, mas aqui é só verdades. Achei os passeios fracos , caros  (cada um saiu por volta de 300 reais, exceto o city tour), apesar do esforço dos guias muito simpáticos, do tempo de sol abençoado e da turma divertida que fizemos nos passeios.

O primeiro foi uma lancha que achávamos que estávamos com tudo quando agendamos. Em vez de ir no Catamarã com 200 pessoas, uma lancha com no máximo 15 pessoas. Só que a lancha não é confortável, o passeio de barco é curtíssimo (não leva nem meia hora) e param em 3 pontos. O primeiro foi na Ilha dos Namorados, que vai lá, é bonitinha, mas não tem estrutura e num sol de rachar o coquinho, ficar sem sombra não dá. Depois foi na Croa do Goré, que vai lá, é divertida mas não para passar o dia inteiro. É um banco de areia  que em poucas horas fica submerso e você fica chafurdando sentada numa cadeira de plástico. A previsão era de ficar até umas 16 hs e dai rumar para o por do sol da prainha, mas a maré encheu tanto que às 14 hs estávamos quase subindo no telhado das cabanas para poder ficar com a cabeça (e o celular) fora da água.

Então rumamos para a Prainha, que nada mais é do que um Beach Club (caro) , onde pagamos 30 reais de entrada para tentar ver o Pôr do Sol num dia nublado, com preços inflacionados, pior que São Paulo. Nem lojinhas tinha para passar o tempo. Todo o grupo se uniu e pediu para sair mais cedo. No final, pedimos para descer na Feira do Artesanato na Orla de Atalaia mesmo, que acabou sendo o ponto alto do dia.

No dia seguinte, fizemos o passeio dos Caniôns pelo Rio São Francisco. Muitas horas de Van para chegar até o local. Daí vem um adendo de algo que me irrita muito no turismo brasileiro. Quando você gasta uma grana boa para ir num passeio, cerca de 300 reais, e você descobre na hora que tem taxas para pagar. Ok, de preservação ambiental, entrada em parques, taxas de embarque até entendemos, mas taxa de entrada para Beach Clubs que não estava prevista, é duro, viu? E as agências claramente direcionam o turista para onde eles ganham mais porcentagem. Nesse dia, nos encaminharam para o Beach Club e restaurante Castanho. Lá, perdemos 2 horas de nosso precioso dia esperando uma comida que nunca chegou. O lugar estava lotado, e os atendentes perdidos, sem profissionalismo nenhum. Tivemos que cancelar nosso pedido, saímos sem almoçar e ter que apressar nosso passeio de barco pelo Rio, já que a Van tinha horário para sair às 17 hs. De lá, pagamos mais 30 reais por um barquinho que passa do lado dos Canions. Bonito? Sim. De cair o queixo, não.  Me pareceu atração da Disney em férias escolares : 3 horas de fila para 30 segundos de atração.

E como conseguimos passar o dia inteiro sem almoço? Pegamos um espetinho do catamarã salvador que chegou logo depois de nós. Alias com um tempero a mais: soubemos que naquele mesmo Beach club desgracento, o Castanho, tinha opção de Buffet Self Service. Mas não nos foi oferecido porque era prioridade para os Catamarãs de grandes grupos. Ou desculpa porque previam que o pessoal das lanchas gastaria mais no A La Carte.

Enfim, o que foi melhor do passeio? O grupo divertido que se uniu ainda mais para reclamar da furada que nos metemos.

O penultimo dia deixamos para um City Tour que passou pelas estátuas de figuras populares de Aracaju, o Mercado Central (mas uma dica: nas Feirinhas de Artesanato tem as mesmas coisas e até mais barato), O teleférico de um parque da cidade, e alguns bairros. No final, o guia nos deixou na praia de Aruana , que tem vários Beach Clubs, mas de sábado tem que chegar cedo, porque é lotado demais.

Dai terminamos nossa última noite com o ponto alto de nossa viagem: o trenzinho do Fofão. Sim, pagamos 20 reais para percorrer a Orla de Atalaia, com a turma do Fofão já derrotada pelo Calor. Para completar, ainda nos deixaram na Estatua do caranguejo e foram embora com nossas sacolinhas de água e comprinhas de supermercado. Acabamos ficando  lá perto para conhecer o Bali, que é um barzinho bem bacana com música ao vivo. Alias, que descobrimos que na nossa ultima noite, Aracaju tem uma pequena vida noturna. Em Atalaia, só tinha restaurantes e feirinha de Artesanato. Perto da Estatua do Caranguejo, há mais barzinhos e opções de baladação, mas nada muito agitado. Aliás, nem vimos bloquinho de Rua em Aracaju. Nossos penduricalhos de cabeça de Carnaval ficaram guardados no quarto.

Dito isso, o que dizer de Aracaju? Apesar do relato amargo e mal humorado de nossa passagem pela cidade, devo dizer que ela teve uma impressão positiva de mim e de minha amiga.

Creio que todo lugar que não depende exclusivamente do turismo e teve que ralar para sobreviver acaba tendo benefícios em cima de cidades completamente turísticas.

A cidade é incrivelmente limpa para o Nordeste, e muito, muito segura (pelo menos nos bairros turísticos e mais afluentes), algo que não se pode dizer da grande maioria de nossas capitais.

Existe um pólo de riqueza e prosperidade que me surpreendeu em Aracaju, com alguns condomínios de alto padrão, um povo bem educado e pasme, uma sorveteria totalmente automatizada que nunca vi em São Paulo ou Rio de Janeiro.

O povo , apesar de não ter a mesma simpatia do baiano, me pareceu muito honesto  e trabalhador.

Em suma, passamos dias gostosos de sol, tranquilidade (talvez um pouco a mais do que esperávamos em pleno Carnaval) e contato com pessoas bacanas e divertidas. Afinal, até o patinho feio do Nordeste continua sendo o Nordeste.

Como cidade de qualidade de vida, Aracaju é exemplar. Para quem gosta de calor, é uma ótima opção, pela civilidade, estrutura, segurança.

Como cidade para turistar, melhor deixar como última opção mesmo, por curiosidade.