
Recentemente, li um artigo inspirador no FAcebook, através do compartilhamento de um link da revista The New Yorker. O título, exatamente como acima, trata do sonho de nossas vidas não vividas.
Há uns 10 anos atrás, eu escrevi um dos textos mais lidos e comentados de meu blog, “Bifurcações da Vida”, que trata exatamente desse tema. Nessa época, eu ainda tinha meu papai vivo, um período pré pandemia, e ainda trabalhava com minha empresa de família.
Lembro que meus maiores questionamentos era de não ter ido continuar minha carreira fora da empresa da família, de não ter feito um intercâmbio , sobre os relacionamentos que não vingaram por falta de vontade minha.
Hoje, passados exatos uma década, quero refletir como seria minha nova bifurcação de vida.
Vamos ao texto do New Yorker escrito pelo jornalista Joshua Rothman. Ele descreve um universitário empreendedor, que ficou a poucos passos de se tornar um grande milionário com projetos iniciais de tecnologia. Veio a bolha tech, a empresa investidora foi comprada, ele virou jornalista, e se casou com uma colega de estudos que encontrou no elevador, teve um filho. É a historia de alguém, não ele hoje. De alguém distante, um desconhecido. Embora digamos que não queremos mudar nossa história, sempre nos pegamos pensando de como seria diferente nossa vida e nós mesmos se mudássemos o rumo de algumas trajetórias de nossas vidas.
Somos seres humanos equipados para viver milhares de tipos de vida mas no final vivemos apenas uma. Vivemos apenas uma vida por variadas razões: por escolhas que tivemos que fazer, pelo peso de viver em sociedade, peso da família e amigos, porque eventos fortuitos causam nossa decisões e porque sim, somos indivíduos. Isso vem do texto literário de Harvard, “on not being someone else: tales of our unled lives” , de Andrew H. Miller.
Enquanto crescemos, nossas possiblidades vão afinando. E ao mesmo tempo que colecionamos questionamentos e arrependimentos do que não vivemos, valorizamos o que nos tornamos. Ou seja, há também significado no que nunca aconteceu.
É interessante nessa meia idade onde me encontro, fazer esse exercício. Será que eu continuarei onde estou? Ou tentaria algo novo?
Casaria? Teria tido filhos? Teria morado no exterior sem rede de segurança?
Amigos diferentes, diferentes approachs com sua família, carreira diferente, relacionamento, trabalho.
O tal lema de a vida é uma só, só temos essa, nos trás a ansiedade de que talvez estamos desperdiçando nossas vidas.
Nossa vida capitalista se torna uma escada de metas a serem atingidas
Se a pandemia não tivesse ocorrido em 2020, onde você estaria?
A idéia não é ficar eternamento divagando sobre o que poderíamos ter sido, mas ter um proposito a partir do desejo do que não vivemos.
Sonhos quebrados, esperanças abortadas, e expectativas fúteis
Deveríamos pensarr profundamente na vida que temos, em vez de sonhar a vida que não temos.
Sinceridade sempre por aqui: às vezes me pego pensando que a vida talvez seria mais confortável e direcionada se eu tivesse tido filhos. Teria feito minha mãe e meu pai feliz, porque sim, os netos são uma alegria incondicional a eles.
Teria provavelmente uma rede mais certeira de finais de semana regrados a encontros com pais e família, e uma rotina mais assertiva.
Contudo, ainda hoje, dos meus quase 50 anos, me vejo com paúra e incerteza se este cenário me faria feliz e confortável. De ter seres humanos totalmente dependentes de mim, e que eu teria que abrir mão do que sou hoje.
O que eu tenho? Uma liberdade enorme de decidir ir para onde viajar, e mesmo no meu simples cotidiano, escolher que comida comer, se saio ou fico em casa, o silêncio que posso escolher a todo momento. Como disse meu querido pai, a gente não se dá conta do valor que temos em mãos até que isso é tirado de nós.
Continuo fazendo esse exerc ício, mas hoje mais tranquila e menos afoita, com menos medo de arrependimentos. Até aqui, estou bem. Em paz . Seguimos em frente.
Que 2026 seja um feliz ano para todos vocês e para todos nós. Merecemos né? Abração no coração.
Adorei a sugestão desse exercício que você faz de “reler” suas vidas, ou escolhas, e são muitas vidas para vivermos, e a valorização do que fizemos e fazemos no agora, é aproveitar cada pedacinho de oportunidade e ir se reinventando ao longo dela! =)
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