Não sou blogueirinha de fazer mistério para ganhar engajamento, então já falo aqui no início mesmo: foi uma das minhas melhores viagens em muito tempo.

Não teve nenhum momento avassalador ou transformador na minha vida. Não teve boy magia (como algumas amigas suposeram). Não teve uma refeição inesquecível. Apenas muito momentos gostosos e plenos.

Eu sempre tive um sonho de conhecer a Patagônia, mas sempre protelei porque não me sentia preparada, e sendo um lugar meio inóspito (afinal, conhecido como o fim do mundo!) , eu ficavam meio com receio de ir sozinha, já que não era um destino visado por minhas amigas baladeiras e solteiras.

Mas no último ano eu me encantei com a Islândia, e vi que meu gosto por viagens está se virando para paisagens naturais bacanas de dia, e alguma atividade de noite, como comprinhas, restaurantes e um pub animado.

Eu comprei tudo pela Internet, com antecedência de 2 meses, e deu tudo certo: A passagem foi pela Decolar, pela cia Aerolíneas Argentinas, os hotéis foram pelo Booking, e exceto alguns passeios que fechei pela plataforma Get Your Guide, a maioria fechei na hora mesmo.

Dai vai minha primeira dica: a não ser que você queira um pacote extremamente personalizado, tenha medo de fazer tudo sozinha e quer assistência completa, ou não esteja viajando no Reveillon, eu fecharia os passeios na hora mesmo. Consegui fazer todos que quis, e com uma previsão do tempo mais assertiva, fiz os passeios nos dias mais adequados. De inóspita, a Patagônia argentina não tem nada, e o centrinho de suas cidades tem tudo que precisamos, como um bom supermercado e farmácias.

Minha viagem começou em Guarulhos, no aeroporto internacional do terminal 2, e daí vem meu provavelmente único perrengue da viagem: as escalas. Eu optei por escalas mais demoradas (tinham escalas mais curtas, mas e o perigo de perder a conexão?), então fiquei mofando no Aeroporto de Buenos Aires em plena madrugada (na ida e na volta), pois a conexão não era longa o suficiente para ir até a cidade, e não tão curta para ser de boa. Ainda bem que eu tinha acesso às salas vip (uma dica: No Aeroparque, que é o aeroporto mais perto da cidade de Buenos Aires, há salas vip 24 horas tanto no desembarque geral, como no embarque doméstico – embarque internacional não tem). As salas vip são bem equipadas, tem comidinhas deliciosas e poltronas confortáveis para viajantes derrotados como eu, que estavam exaustos.

Cheguei em El Calafate às 07 da matina, e foi muito fácil achar um transfer para o meu hotel. Deu cerca de 18 dólares ida e volta, e pega no meu hotel, bem diferente dos 39 euros por trecho da Islandia que nem deixa exatamente no seu destino final.

Cheguei no meu hotel às 08:30 hs, o Kapenke, e apesar de bem antigo, é muito limpo, aconchegante e com pessoal muito simpático e prestativo, que vendo meu estado acabado (afinal passei a noite inteira viajando), logo vagou meu quarto às 10 da manhã em vez das 13:00 hs do check-in.

Aliás duas informações importantes sobre as cidades na Patagônia Argentina: mesmo os hotéis mais modernos (como o que fiquei em Ushuaia) têm tomadas somente do país e não por USB, então você vai ter que vir ou comprar um adaptador com o padrão das tomadas de lá. Outra coisa bem chatinha: o checkout dos hotéis tem padrão de saída às 10:00 hs! Com muito custo consegui uma folguinha de uma hora a mais em cada hotel, mas eles tentam te empurrar a tarifa de meia diária a todo custo.

Instalada em meu quartinho, e um dos maiores prazeres de viajar sozinha, é fazer exatamente o que me der na telha. Eu só tinha mais 2 dias inteiros na cidade, mas me dei o luxo de uma cochilada (e que bela cochilada), seguida de um banho revigorante depois de mais de 24 horas sem banho. Saí às 14 hs, renascida como uma Fênix, pronta para fazer o que mais gosto: explorar uma nova cidade.

Explorei a Avenida Libertador todinha, que é a principal e na verdade, não tem muito o que fazer fora dela. Lá tem os restaurantes, lojinhas, Casino (bem derrotado aliás), agências de turismo. Fui andando até o lago, e descobri sem querer um Museu da história da Patagônia, que mais valeu pelos felinos carinhosos que foram adotados por lá. Consegui pesquisar e fechar os passeios dos próximos dias, me arrumei e jantei em um dos vários restaurantes aconchegantes da cidade, que servem sopa de abóbora e legumes, cordeiro assado, trutas e uma incrível conserva de lentilha e alho, como pratos típicos. Claro que para acabar a noite eu peguei um saquinho de chocolates em uma das várias lojas artesanais.

No dia seguinte, depois de um café reforçado, rumei para o primeiro passeio da viagem: avistamento da Geleira Perito Moreno, com passeio de barco. Honestamente, eu passaria o Passeio de Barco. O parque da Geleira é muito bem estruturado, com passarelas bem firmes que lembram a infra do parque das Cataratas de Foz do Iguaçu, e você tem vistas de tirar o fôlego das geleiras. Ainda conta com uma aconchegante cafeteria nem tão super faturada, e tomei o chocolate mais quentinho e delicioso possível.

De noite, o programa era sempre o mesmo: escolher um restaurante, olhar as lojinhas de souvenires, pegar um saquinho de chocolate caseiro. El Calafate não tem vida noturna, então não espere baladas nem pubs animados. A regra é dormir cedo.

No último dia, fiz o passeio para El Chaltén: o parque com lindas paisagens e um trekking que não é tão facinho assim. Apesar de trilhas bem sinalizadas e não tão íngremes, os caminhos até as lagoas são longos . Lá, se puder, vale a pena se hospedar por lá, e ter o dia inteiro para explorar o parque. Explico: quando se sai de uma excursão em grupo de El Calafate, se perde um tempo precioso na estrada, seja nas paradas patrocinadas ou para esperar o grupo. Chegamos lá quase 13:00 hs e tínhamos que sair as 17 hs. Com minhas perninhas curtas, desencanei de tentar chegar até a Lagoa Capri. Aliás, nessa viagem eu vi que o tempo chega para todos: se em décadas passadas eu certamente iria até o fim para me provar que sim, eu consegui chegar, desta vez eu mandei uma banana para a Lagoa Capri e me aconcheguei no primeiro café que vi fora do parque e fiquei boas horas lá aproveitando o wi-fi, a coca zero gelada, e uma das várias medialunas da viagem (um tipo de croissant meio massudo e doce). Aliás, a cidade de El Chaltén parece bem gostosa, tem cafés, bares, restaurantes e pousadas dignas.

No último dia, rumei para o aeroporto e peguei um voo curtinho de uma hora até Ushuaia. A vista é belíssima já do avião. Do aeroporto até a cidade, são apenas 7 minutos de carro, e não há transfers, então eu pedi um uber que me custou 20 reais.

Fiquei no Albatroz, que tem uma localização fantástica, e atentem! Quando reservarem uma hospedagem, vejam os comentários. Quem se hospedou no centro, pertinho da Avenida principal, mas nas ruas paralelas mais acima, tiveram que encarar ladeiras íngremes ao voltar de passeios e jantares. Ushuaia é assim: a Avenida Maipu que é beira mar (ou lago), a Avenida Saint Martin que é a que tem todo o comércio e restaurantes, e as transversais que são subidonas de primeira escala. Haja joelho.

Eu tinha adorado el Calafate, mas sabe quando você chega numa cidade e sente que vai ser uma Vibe Incrível? Foi assim com Ushuaia. Instalada no hotel,  já sai para explorar a cidade  e caçar os passeios dos próximos dias. Do lado, tinha a secretaria de turismo, que me indicou a única agência que fazia a caminhada com os pinguins. Era um passeio que estava de olho desde o Brasil, mas as opções pelas agências nacionais e pela Get Your Guide estavam com preço estratosférico. Arrisquei e não fechei antecipadamente, sabendo que era um passeio com poucos lugares. Consegui: o ultimo lugar para o dia 30, um dia antes da minha volta. E paguei menos da metade da plataforma digital.

Ushuaia é bem maior que El Calafate, mas ainda assim aconchegante: vários restaurantes, bares e até um pub animado que fui todas as noites, o Dublin.

Foram 3 dias bem gostosos: os passeios que programei saiam todos de tarde, o que me dava tempo para acordar no meu tempo, tomar um café bem demorado, passear pela cidade. Fui no Parque Nacional, Fiz a navegação pelo Canal Beagle, fui na Ilha dos Pinguins. Todos os passeios bem estruturados, profissionais e com conforto.   Passei o trekking da Laguna Esmeralda e demais, pois como disse, eu já não vejo tanto sentido em fazer tanta caminhada para ver um lago no final que nem consigo entrar porque está frio.

De noite, eu ainda ia jantar num lugar gostoso, comer peixes e caranguejos (olha só, a culinária de ushuaia é bem diferente de El Calafate, pois tem muita coisa do mar), e acabava a noite no Dublin, onde tive conversas muito inspiradoras com viajantes do mundo inteiro. Em especial, dois motoqueiros que fizeram toda a America Latina e a tripulação anterior do malfadado navio MV Hondius, esse mesmo, do Hantavirus. Só não fiquei preocupada porque a notícia chegou mais de um mês que voltei de viagem. Mas sim: o navio saiu de Ushuaia dia 01 de abril, e nas noites anteriores, eu bati o maior papo com a tripulação que não ia continuar viagem .

Enfim , recomendo fortemente a Patagônia Argentina. Não precisa ser Dora Aventureira (mas se quiser ser, é um prato cheio), nem blogueira de viagem (mas é um prato cheio de novo, as paisagens são incríveis). As pessoas são simpáticas , a comida é boa, o preço é justo, e as experiências são marcantes. Apenas vão!