Contagem regressiva para os meus 44 anos: começo a fazer um mapa da minha vida até agora.

Em futuros posts, vou mostrar as tais listinhas: de arrependimentos, de descobertas, de realizações.

E o melhor conselho que posso dar de alguém que chegou (e passou) dos quarenta: NÃO DEPENDA FINANCEIRAMENTE DE NINGUÉM.

Dentre todas as realizações que tive na vida, esta sem dúvida foi a maior.

Mesmo que você não seja uma pessoa capitalista, que seja desprovida de ambição por bens materiais, chegar aos 40 sem depender de ninguém para pagar suas contas é sim um feito a se bater palmas e a chave para sua liberdade pessoal e financeira.

Tenho muitas conhecidas e amigas que, por diversas circunstâncias da vida, chegam aos quarenta sem um ninho construído, um apartamento comprado, ou uma reserva financeira para chamar de sua.

Algumas, porque casaram e tiveram filhos muito cedo, e se dedicaram integralmente a serem mães. Outras, porque fizeram más escolhas no caminho. Gastaram demais em supérfluos, não investiram. Outras, poucas, tiveram imprevistos. Acidente, ajuda familiar.

Não vou julgá-las. Cada uma teve sua trajetória e sua dificuldade.

Contudo, sei das dores delas hoje de não terem uma segurança financeira. Porque aos 40 uma coisa realmente muda: seus gastos. E sempre para mais. Você gasta mais com farmácia, com plano de saúde, com ajuda a família, gastos pessoais.

O matrimônio para elas mais do que nunca significam o seu chão financeiro. Para outras que não se casaram, resta a insegurança e ansiedade constante, do amanhã incerto, das vagas de emprego mais restritas, dos gastos maiores a cada dia.

E com isso, não é incomum essas mulheres estarem desesperadamente à procura de um par, não como sinônimo de completude e amor, mas sim uma salvação para sua situação financeira.

Isso porque estamos falando de uma classe média e classe alta. Imagine nas classes mais desfavorecidas. Onde há coisa bem pior do que não poder pagar um plano de saúde bom. Onde possa haver violência doméstica. Minha amiga delegada diz que a maioria das mulheres e filhos que sofrem abusos dentro de casa não agem porque são dependentes financeiramente total do parceiro.

Eu sempre costumo citar minha adorada e linda mãe nos meus textos, mas aqui eu tenho que dar as honras para meu querido papis.  Eu sempre fui criada como família de classe média alta, mas graças a seu completo esforço. Ele veio de uma família extremamente pobre do interior de SP, e sempre nos ensinou o poder do dinheiro.

Eu sempre estudei nas melhores escolas que o dinheiro dele pôde pagar, e nunca nos faltou conforto em casa e viagens. Palmas também para minha mãe, que sempre o apoiou, e sempre foi comedida com gastos.

Mas gastos com supérfluos, isto era super controlado. Enquanto todos meus coleguinhas de escola ostentavam as famosas marcas dos anos 80, como Forum, Zoomp e tinham seus tênis Nike e Reebok, eu sempre tive tênis e roupas de marcas genéricas. Marca mesmo só em épocas especiais, como presentes de aniversário e olhe lá.

Na época, isso me dava uma raiva, porque a gente sofria bullying por isso, mas hoje eu vejo que esses gestos simples e aparentemente inúteis foram sim importantes para a construção do meu próprio patrimônio. Sim, parece e é vergonhoso falar que o bullying de inutilidades da escola me ajudou a ser responsável com meu dinheiro. Mas é a verdade, garotas.

Meus pais nunca me deram mesada. O que eu quisesse, eu pedia pra eles. Se fosse válido, eles compravam. Com isso, comecei a pensar antes de pedir algo pra eles. O aceite de um era a recusa de outro. Daí começou minha educação financeira. Dinheiro e coisas não caem do céu.

Como falei: em casa, nunca faltou educação, conforto, segurança e viagens. Mas os supérfluos eram supérfluos. Eu que lutasse para garantir o meu. E quando cresci, me emociono que meus pais me garantiram muito mais do que a grande maioria da população tem.

Eu comecei a trabalhar com minha família em período parcial aos 17, mas depois que arranjei meus primeiros estágios remunerados, foi uma alegria ímpar ver aquele dinheiro meu, só meu na minha conta. Eu podia fazer o que quisesse com ele, sem dar justificativas a ninguém. Poderia ir comprar 3 calças na Forum. Gastar numa balada. No fim, eu me contentei em uma ida a supermercado e comprar itens que nunca pedi a minha mãe e fiquei feliz com 90% do salário economizado.

Eu tenho sim certa fama de pão dura. Apesar de já ter viajado praticamente o mundo, comido nos melhores restaurantes, e ter um guarda roupa com alguns itens luxuosos.

Mas olho sempre os preços do cardápio de um restaurante antes de pedir. Olho semanalmente minha fatura e quando sei que exagerei, dou uma freada.

Participo sim de causas voluntárias,  e fiz muitas doações ultimamente, mas sempre com resguardo. Afinal, dinheiro suado e poupado não se dá fácil e para qualquer um.

A maior paz que você pode ter, é saber que suas contas estão pagas por você e por mais ninguém. Então amigos, familiares, amores, é tudo pelo amor e não pelo interesse. E com isso meninas, cuidado: já passaram por mim e por outras amigas minhas muitos caras interesseiros. Mas para quem lutou pelo próprio dinheiro, se protege. Mas os chupins existem, e não são poucos.

Saber que você pode pagar uma viagem sem ter que parcelar em 10X, saber que você mora num apto que não podem lhe tirar, saber que você pode passar por uma pandemia como essa que nem nossos avós passaram e não ter que pedir socorro financeiro de ninguém (nem menos do governo), isso não tem preço garotas.  De verdade. Talvez seja a grande porta de entrada para outras conquistas. Agora as dicas de como eu trilhei esse caminho eu deixo para outro conto, para este não virar uma enciclopédia (só os quarenta entenderão, para os xóvens, procurem o termo no Google). É um longo caminho, não é fácil, mas vale a pena!