
Depois de 3 meses de negociação, enquetes (sim, precisamos disso senão nada acontece)e corre para alinhar as agendas de 5 amigas , reservamos uma casa em Juquehy, Litoral Norte de São Paulo para passar um final de semana gostoso a beira mar.
Vale lembrar que todas as previsões apontavam para dias de intenso calor, sol e céu azul, uma vez que tivemos um fevereiro e março de inferno na terra e quase nenhuma chuva.
Porém, justo no nosso fds da alegria, uma frente fria se aproximou e…
Chuvas. Torrenciais. Quedas de temperatura. Risco de temporais e alagamentos.
Juquehy já sofreu com intensos alagamentos há uns 2 anos atrás, onde carros ficaram empilhados que nem lixo, a praia virou um depósito de lama, e turistas e moradores ficaram ilhados sem energia e sem poder escapar daquela tragédia.
Todos, absolutamente TODOS que não estavam no grupo da viagem (inclusive mamis) nos enviaram mensagens do tipo: “vocês vão mesmo?”, “olha o perigo”, “ir pra praia porquê nessas condições?”, “melhor perder o dinheiro”.
Enfim, somos brasileiras então persistentes e somos todas mulheres, portanto TEIMOSAS.
E sim, temos a autoconfiança que temos um pezinho de sorte para fazer as previsões mudarem, ou sendo mais realistas, menos apoteóticas do que estavam previstas.
E foi um fds delicioso, maravilhoso, que valeu muito a pena.
Choveu?
Pra caralho.
Em plena sexta feira de manhã, nos reunimos num posto da Av. Bandeirantes e rumamos a Juquehy, pela estrada Rio Santos, para mim uma das mais belas do mundo, cortando a Mata Atlântica e com aqueles vendedores de estrada de bananas e jacas. Para quem ainda nunca foi, saindo da Rodovia dos Imigrantes, passando pela Estrada Rio Santos rumo a Santos , é um trecho cheio de vegetação densa, nativa e com cachoeiras, verdadeiros cânions verdes, vertiginosos. Um espetáculo.
Chegamos em Juquehy em menos de 3 horas (o que foi excelente)e apesar de nublado, o tempo ainda estava quente e seco. Ficamos umas 2 horas num almoço delicia num restaurante de frente para o mar, comendo peixes fresquinhos, imaginando nossas próximas viagens, o casamento de alguém no grupo que iria custear nossa viagem dos sonhos, nossa próxima casa de praia.
A casa que alugamos pelo AIRBNB era muito digna, mas mentirosa no anúncio: “a poucos metros da praia”. Mentira. Uns 7 quarteirões pelo menos (porque a rua era sem saída) e ainda nossa casa era a última de 35 unidades, sendo quase como escalar uma montanha para irmos até lá.
Sim, a chuva no final da tarde veio com tudo, torrencial e ainda queimou um transformador do condomínio, deixando a gente sem luz e no perrengue por 12 horas .
Mas antes disso conseguimos ir no supermercado comprar comidinhas pro café da manhã e jantares, andar no shopping e olhar as roupinhas tudo. Ainda conseguimos tomar banho e fazer a janta (quer dizer, minhas amigas né) antes de ter que comer a luz de velas. Ainda assim, fomos dormir meia noite, depois de muito bate papo gostoso em sofás enormes que nunca poderíamos ter em nossos exíguos apartamentos em São Paulo.
No sábado, acordamos já com luz de volta, uma mesa linda com muitas frutas no café da manhã, já que a proprietária do imóvel nos obrigou a contratar uma diarista para nossa estadia, e ovos fritos feitos na hora de acordo com nosso gosto.
Muitas trocas de receitas, uma trouxe um panetone delicioso de Baileys, outra compartilhou conosco seu chá de gengibre e devo dizer que comecei a gostar de comer batata doce assada.
Ainda fomos brindadas com um tempo estável e embora sem céu azul, a falta de chuva que estava prevista nos permitiu uma bela caminhada na praia com direito a alguns ombros queimados de mormaço!
Fomos almoçar em um píer delicioso (com comidinha melhor ainda) no Giselle´s em Barra do Una. Casquinha de siri, moqueca de frutos do Mar, peixe com camarão , tudo fresquinho.
Ficamos horas lá, apreciando o barulhinho e brisa do mar, a segurança de poder ficar com celular à mostra, a conversa engraçada com as amigas de muito tempo.
A noite a chuva novamente marcou presença, apenas para embalar os joguinhos de tabuleiro que fizemos, o jantar gostoso e saudável (panetone de bailey´s incluso), os filmes muito ruins que escolhemos, e o sono gostoso.
Domingo, mais um café da manhã de rainhas sem precisar lavar a louça, e volta a São Paulo e menos de 3 horas embalado por muitas risadas e muita trilha sonora dos anos 80 e 90.
Isso porque fez um sol bom não previsto e optamos por ir embora antes do trânsito da volta (somos mulheres precavidas né? Preferimos a estabilidade e conforto em detrimento do lazer rápido e engarrafamento de estrada – somos macacas velhas).
Aos quase 50, eu aprendi que os melhores momentos da vida não precisam ter algo apoteótico ou grandioso para contar aos amigos. Eu digo que além dos momentos gostosos que vivemos, nada de muito extraordinário como um boy magia, ou uma festa vip, foi a troca entre amigas conhecidas.
Vou comprar o jogo de Sushi Go porque achei divertidíssimo e olha, nunca ouvi falar. Vou tentar fazer mais encontros triviais de amigos. Vou tentar comer mais vegetais , batatas doces e abóbora porque ficam realmente uma delícia e olha, são saudáveis. Meu corpo ficou muito agradecido. Nem as largas fatias de panetone me fizeram engordar no fds, apesar da preguiça de exercícios e os fartos almoços. Vou tentar dar um up no meu apartamento, porque adorei o home teather da casa.
É isso, sair na chuva para se molhar e ter muito mais tempero de vida. Beijo no coração de vocês. Quando uma turma querida chamar vocês para um fds diferente, não hesite em aceitar!