O texto abaixo eu escrevi há 5 anos atrás. Hoje, com a menopausa ainda a vir e ainda ovulando, o que mudou para mim? A completa convicção que nunca terei filhos biológicos (e nem adotivos). Por inúmeros motivos, mas o principal é que A maternidade não é para mim. Eu quero descobrir o mundo, sozinha.
Tive receios sim, tive meus momentos sensitivos, principalmente depois da morte de meu querido pai. Mas a vida é feita de escolhas, e eu escolhi diferente. No final, olhando minha trajetória, eu sempre fugi de formar uma familia. Até porque tive os melhores pais do mundo, e se não pudesse dar isso a meu filho hipotético, não seria justo. Deixo a maternidade para as mulheres maravilhosas que querem sim ser mães. E há bilhões delas no mundo. Um Toshirinho a menos não sera o problema mundial. Nem o meu. Boa leitura de recordação. É bom ler o que escreveu e ver que você amadureceu o que escreveu. Pode voltar esse sentimento? Sim, somos humanos, e eu ainda libriana. Mas com cada vez mais convicção que essa é a minha vida, meu destino, traçado por mim.
CHEGANDO NO ABISMO DA IDADE PARA TER FILHOS BIOLÓGICOS – COMO É?
Nunca achei que iria escrever um post como esse dado os meus posts anteriores sobre minha decisão antecipada de não querer filhos.
Escrevo porque é algo que não tenho coragem de compartilhar com amigas minhas que me conhecem há décadas nem meus familiares.
Eu presenciei várias amigas minhas em colapso (essa seria a palavra mais apropriada) quando chegam na fatídica idade de 45 a 47 anos. É a idade limite (senão a que já passou) para quem puder ter filhos biológicos.
Muitas delas nem queriam ter filhos exatamente. Mas na última curva da vida onde tinham a possibilidade de engravidar, ficaram sonhando em encontrar um cara que pedisse filhos. Quando essa fase passou (e a menopausa veio) elas se acalmaram, mas nessa janela de tempo elas se questionavam constantemente sobre o porque de não tiverem filhos e que essa decisão talvez impactaria num vazio e infelicidade permanente no futuro.
O problema maior era com as que queriam realmente ter filhos. Demoraram para ir atrás porque deram atenção a construção da carreira e da independência financeira, ou realmente deixaram para a última hora mas tinham o desejo sempre latente de serem mães. Essas sofreram. Não a julguemos pois só quem sofre as dores sabe o que tem.
Muitas se envolveram em relacionamentos abusivos, encontros fortuitos e sem proteção (um perigo meninas!) e tentando agarrar o primeiro bofe. Estavam carentes e loucas ao mesmo tempo, numa desenfreada busca pela maternidade tardia. Algumas infelizmente perderam tudo devido a golpes de estelionatários e outras sobreviveram.
Agora estou chegando na reta final: estou com 44 anos e acho que tenho possibilidades de engravidar por 1 ou 2 anos, se é que ainda tenho. Depois, só se for filho adotivo, o que não é uma má idéia para mim (pelo contrário, acho o ato de amor mais lindo ao universo) e deixo aqui meu relato e meu depoimento. É filha, até para quem sempre clamou que nunca queria filhos por imposição da sociedade, o bicho pega agora.
Porquê? Eu me dei conta apenas agora?
Sim, é comigo, com você e com todo ser humano. Quando a gente começa a ver o fim da estrada, começa a se perguntar porque escolhemos aquele caminho.
Eu tenho me pego muitas vezes pensando em como será minha vida daqui para frente. Vou morrer sozinha (bem daí todo mundo morre sozinha de alguma forma, seja mães ou não mães ), vou ter que me virar numa relação sem o vínculo de paternidade, não vou deixar meu legado genético do mundo (isso é forte!!!)
Penso nas tantas vezes que tive sim a oportunidade de ser mãe. Penso nos caras que terminamos justamente porque eu não estava preparada para ser mãe.
Me indaguei: se algum deles voltasse e pedisse para ter filhos, eu aceitaria hoje? Para minha surpresa, um pelo menos sim. Quero morrer quando digo isso e engolir meu orgulho, mas eu tive um amor há 15 anos atrás que não foi para a frente justamente porque ele queria ser pai e eu não queria ser mãe. Hoje ele está casado e sim é um pai maravilhoso.
Fui buscar nas minhas origens qual o motivo de eu nunca querer ser mãe.
Em principio é pelo meu espírito mesmo, sempre fui independente e gosto de estar sozinha., de verdade.
Também tenho uma boa dose de individualismo, não quero um filho que me prenda e que tire a minha essência.
Em partes também porque morro de medo de pensar de ter um ser vivo que dependa de mim totalmente e que corresponda a minha criação e educação.
E também porque sempre tive esse lado rebelde de ir contra a sociedade de certa forma. Ter filho era corresponder ao padrão imposto.
Eu nunca fui a louca dos bebês, sempre preferi animais fofinhos.
Como tive criação maravilhosa de pais e mães, não teria coragem alguma de ter produção independente, pois acho que meu pai teve papel fundamental na minha concepção como adulta e indivíduo no mundo.
Daí, fora esse bofe inesquecível ou talvez um ou outro, nunca tive um relacionamento sério onde a outra parte quisesse muito formar uma família.
Para os homens, certamente é mais fácil. Podem ser pais tardios biológicos. Nós não.
O medo do arrependimento nos ronda constantemente nessa idade, devo confessar.
Dai eu escrevo e isso limpa minha mente. E lendo, vejo que temos que seguir mesmo as leis do Universo: estamos prontas para o que der e vier. Se vier um cara bacana e ele quiser filhos, vamos conversar (sem nenhuma decisão antecipada ou pior, desesperada). Se não vier, aceito o que vier da vida, com ou sem filhos.