Generation Z - Timeline

Este mês foi o mês da mulherada: me reuni com várias amigas de infância, fiz um evento de confraria, fui a um evento de empoderamento feminino numa startup repleta de millenials.

Tenho que confessar aqui uma coisa a vocês: eu senti uma pontinha de inveja dessas millenials, viu? Uma pontinha não, uma bazuca!

Era um evento destinado a inspirar garotas de 10 a 15 anos das escolas públicas para almejarem cargos de liderança nas empresas de tecnologia (www.inspiring-girls.com.br) e quem organizou foi uma mulherada xóvem nos seus 20 e poucos anos de idade.

Passei a tarde toda com elas, e pelo que pude sentir, elas muito provavelmente não terão os mesmos anseios e angústias que nós, as novas quarentas de hoje temos.

Me parece uma geração mais desencanada de fato com rótulos, marcas e necessidade de aceitação social. Vou chamá-las de meninas, porque elas são meninas para mim. Afinal, temos uma distância de uns bons  15 a 20 anos.

Só que olha que louco: temos as mesmas gírias, e em dados assuntos elas falam de igual para igual. Em outros como tecnologia, nem se fala, estão a anos luz. Salvo que logicamente elas têm o viço e a pele da juventude, não há um gap de pensamentos e cultura como eu e minha mãe tínhamos, por exemplo.

Talvez na geração delas não há o preconceito sobre a mulher que não terá filhos, até porque essa decisão para elas é tão natural quanto a de ter filhos.

Talvez na geração delas a ostentação não está no fato de ter o carro foda do ano,  o apto com varanda gourmet e o cartão black, mas sim no que elas estão deixando de legado para o mundo. Elas estão promovendo ações efetivas de voluntariados nos seus 20 anos, enquanto  vamos admitir, as quarentas estão engatinhando uma ou outra ação.

Talvez na geração delas a fofoca falando mal de outras mulheres é uma coisa a ser evitada e censurada, assim como o bullying, o julgamento, a competição desnecessária só pelo ego.

Tem amiga minha que diz que essa geração é um saco e que na verdade isso é desapego pela preguiça e por não terem personalidade. Que são mulheres chatas, sem sal e sem atitude e mil vezes a geração dela.

Eu tenho minhas dúvidas. Sei que não posso voltar no tempo e ser a millenial que elas são, pois eu venho de uma criação e de uma época onde a intriga entre nós é normal e não aberração, onde a felicidade plena está em arranjar o príncipe da sua vida e não amizades fraternais  para a vida toda.

Peguem uma revista Cláudia ou Nova (antiga cosmopolitan) da década de 80 e 90 e vejam os assuntos que as quarentas daquela época que eram pertinentes à realidade delas.

Eu digo que a minha geração está entre safras: a gente é meio osso duro de doer pois não aceita os padrões e preconceitos impostos pela geração passada. Ao mesmo tempo, ainda somos presas a estes padrões, mais do que gostaríamos de admitir. Vejo em mim e na maioria das minhas amigas da minha idade que o que pregamos no Face e no Insta e nos grupinhos de whatsapp como gratidão, namastê e unidas somos mais fortes, não se aplica na realidade ou muito pouco! Somos nós que dizemos nos bastidores que “odiamos trabalhar com mulheres”.

Por outro lado, quando eu tenho contato com as monas millenials, sinto que a realidade que almejamos está nelas! Espero que esteja certa. Acho que o mundo que elas estão construindo e o ambiente de maior camaradagem e união de fato será muito melhor que o atual  e não apenas propaganda manipuladora de cosméticos.

Beijo no coração das amigas quarentas, que tenhamos a luz necessária  para ver a nova geração como a abridora de portas de uma sociedade mais justa e unida, e que nos afastemos de toda inveja que possamos ter de sua juventude, de sua pele sem rugas e sua maestria em lidar com tecnologia.

Beijo no coração das meninas millenials, que elas tenham paciência com as colegas e amigas quarentas e que nos ensinem o caminho da luz. Enxergo nelas de fato o “juntas somos mais fortes”!