PS: ESTE TEXTO FOI ESCRITO ANTES DA PANDEMIA. DESCONSIDEREM ITENS DE AGLOMERAÇÃO COLETIVA. VAMOS AGUARDAR MAS TEM MUITO ITEM AÍ QUE JÁ DA PARA FAZER HOJE, COM SEGURANÇA.

Vou contar um segredinho para você: as melhores coisas que já fiz na minha vida (as que mais me marcaram) foram todas realizadas quando eu tinha mais de 30 anos (e bem pra mais de 30 anos!).

Explico: dos meus 15 até 30 anos, sempre fui aquela garota meio sem brilho, meio sem graça, que aplaudia o feito dos outros mas sempre achava que “não era para mim”.  Não era para eu surfar. Abrir minha própria empresa. Ter um boy completamente apaixonado por mim. Arrasar num mega vestido vermelho e decotado. ESCREVER UM BLOG, ENTÃO…NEM PENSAR. Então , que eu me lembre bem, essa fase foi: trabalho. Estudo. Compras. Shopping. Cinema. Acabou o fim de semana”.

Quando tinha 32 anos, estava de férias no litoral norte de São Paulo. Era época de verão, e tinha uma porção de quiosques na praia oferecendo aulas de surf. Fiquei com coceirinha para tentar surfar.  Os comentários de minhas amigas na época: “você já tá muito velha pra isso”, “imagina, você não tem força nem pra carregar a prancha”, “aprenda a nadar direito e perder o medo do mar primeiro”. Pronto. Brochei. Desisti.

Pula para7 anos a mais. Estava num evento micado, não conhecia ninguém. Sentou do lado uma japa e comecei a conversar com ela (será que vocês têm essa relação de maior camaradagem e segurança com alguém semelhante? Tipo japa com japa, loira com loira, alta com alta?). A Japa tinha mais ou menos a mesma idade que eu, e tinha um grupo de surf(!!!!) dentro da comunidade que eu fazia parte. Trocamos whatsapp, e em menos de 1 mês, lá estava eu, na mesma praia que me brocharam, para surfar pela primeira vez.  Não foi muito fácil, admito. Dei piti, fiquei com medinho, minhas pernas tremiam mais do que portador de Parkinson, mas depois de alguns minutos e muita paciência de um ótimo professor, consegui subir e pegar minha primeira onda. Uma marolinha, e daí? Peguei onda. Fui até a areia!

Hoje, pelo menos 2 vezes por mês, desço para Santos e faço feliz minhas aulinhas de surf, me achando a sósia do Kelly Slater , me gabando toda com meu neoprene. Acordo resmunguenta as 6 da matina em pleno sábado e morro de felicidade ao entrar no mar lazarento de Santos com a minha pranchinha (tá, é uma pranchona, quase uma canoa). E me pergunto: “Por que não comecei antes?”.

Tem milhares de coisas na minha vida que posterguei porque aceitei o julgamento de outros e o meu próprio: “não era competente o suficiente para abrir meu negócio. “Não era inteligente o suficiente para tocar minhas próprias finanças”. “Não era jovem mais (essa é terrível) para fazer algumas atividades esportivas”. “Não era bonita o bastante”, “não era responsável o bastante para ter minha própria casa”.”Suas idéias não são boas o bastante para escrever um livro”.

E digo com letras garrafais: TUDO O QUE POSTERGUEI NA MINHA VIDA SÓ FOI RUIM. TUDO O QUE POSTERGUEI DESEJARIA TER FEITO  ANTES.

Não culpo os outros, porque nasci num país livre e quem faz a vida sou eu. Quando decidi que tinha que fazer, ninguém me impediu. Fui lá e fiz.

Eu fui morar sozinha com 32 anos , sem saber ligar um microondas. Ok, vivi de delivery e pão de forma durante 1 mês até aprender a usar o fogão. Tô viva, to bem, e minhas taxas de glicemia e colesterol são (quase) excelentes.

Eu fui começar a surfar aos 39 anos, do lado de pessoas de 70.

Fui usar meu primeiro decote com 35, porque tinha vergonha do meu corpo. Peito não tenho, mas tenho um mega sutiã com bojo de 2 kgs tá? Ah, e tinha medo de parecer uma quenga. Hoje, se me acham quenga, quer dizer que tô bonita a ponto de poder cobrar de um boy (espécie em extinção hoje).

Eu pulei de pára-quedas aos 37 anos. Essa história vale. Eu tinha um grupo de amigas nos meus 20 e poucos anos, e todas queríamos pular de pára-quedas. Ia ser no niver de 23 anos. Depois de 24 anos. Nunca foi. Há alguns anos atrás, o amigo de uma amiga de outra amiga promoveu um grupo de apoio para comemorar o niver dele fazendo o quê? !”pular de pára-quedas”. Fui. Odiei. Vomitei tudo no banheiro escondida, depois do salto, que me deu uma tontura danada. Mas a coceirinha do pára-quedas passou. E todos os meus amigos cansaram de ver minhas fotos e vídeo da façanha”.  

A questão não é só a chegada. Mas a coragem que me fez ir até lá. O pulo não foi tão gostoso. A jornada sim. Fizeram uma mesa imensa de café da manhã para nós corajosos (regorgitei tudo depois), fiz amizades novas, brindamos o depois rindo muito na sala de edição dos vídeos, voltamos realizados e comemos um bacalhau incrível num restaurante português de estrada.

Então, se algo aprendi nesses 40 anos, minhas garotas, é que podemos fazer tudo. E POR QUE NÃO HOJE?

Abaixo, compartilho com vocês a minha listinha atual de Por Que Não? E convido vocês a fazerem a sua listinha.

Por QUE NÃO?

– Correr uma Maratona – em UM ANO de treino?

– Aprender a tocar violão – procurar HOJE um professor bom que tenha paciência com meus dedos gordinhos e rebeldes

– A PARTIR DE HOJE, pensar em um negócio mais ambicioso e arriscado?

– EM 2 ANOS, fazer finalmente o meu sabático?

– AGORA, focar em finalmente falar francês decentemente?

– ATÉ O FINAL DO ANO, aprender a tirar fotos bacanas com o celular?

– A QUALQUER MOMENTO, estar disposta a embarcar num relacionamento sério e estável?

– SEMANA QUE VEM , chamar meus pais para um programa bacana – toc 3 vezes na madeira, mas nunca sabemos quando nossos pais estarão ainda conosco, né?

– ESTE ANO, arriscar em um novo investimento

ABAIXO, SEGUE UMA LISTINHA DE POR QUE NÃO, DE ALGUMAS PESSOAS QUE COLETEI:

POR QUE NÃO UM DIA:

– Fazer uma tatuagem

– Ter um one night Stand com um boy lindo e cafajeste (claro que de maneira responsável)

– Se você trabalha por conta, pegar uma terça feira e ir para a praia e aproveitar que o hotel tem 50% de desconto

– Abrir aquela champa cara que está na geladeira esperando uma ocasião especial

– Ir naquele restaurante mega milionário que você sempre quis ir

– Tentar poupar 40% do seu salário para ver como você sobrevive

– Viajar sozinha

– Viajar para um destino que você nunca pensou em fazer

  Vestir uma roupa completamente diferente de seu estilo só para ver a reação das pessoas

– Pegar um final de semana só para você e imaginar como seria sua vida num trabalho dos seus sonhos

– Ir para uma balada sozinha

– Vestir uma peruca para ver como seria sua versão loira/ ruiva/ morena

– Arrumar alguém que finalmente me ensine a falar inglês para me virar nas viagens internacionais que quero fazer

– Chamar meus melhores amigos e oferecer um banquete igualzinho ao do filme: “A Festa de Babette”.

– Adotar uma Criança

 Adotar um bicho.

– Procurar um Personal Stylist ou Beauty que me deixe irresistível

– Fazer uma Faculdade de Medicina

– Tentar ser atriz em Hollywood

– Ir para um Spa e perder 15 quilos de uma vez só.