Depois de quase 2 anos, finalmente tive coragem para sair à noite com amigas.

Escolhido um lugar que respeitasse normas de segurança de pandemia (Caro para chuchu) , ambiente arejado, pé direito alto e sem direito a aglomerações, marcamos o horário e data.

Quer dizer, acho que as quarentas continuam tão ou mais enroladas que as de 20 e 30.

“Vamos no final da tarde?” “simmmmm”   “bora” – longo período sem interação

“e aí pessoal”  “to nos meus pais”  “to fazendo a unha”

“então 20:30 “  “fechou”  “bora”

“pessoal, tem que chegar até 19:30 senão não consegue entrar” “vai indo que eu chego até 20 hs” “posso levar uma amiga?” “ela chega até 21”

Enfim, botei minhas maquiagens vencidas, meu vestido comprado em 2019 na promoção, e um salto estratosférico de 10 cm que se eu cair, vou direto para o hospital.

Confesso, me senti muito feliz toda montada na make e na roupinha. Confesso, fiz muitas fotos de espelho para postar no Insta.

E gosto daquele friozinho de chegar num lugar (este tinha ido há muitos anos,no Seen, Rooftop do Hotel Tivoli – ex Mofarrej nos Jardins.

Bem, nem cheguei a entrar. Fila de várias horas. Maldito salto estratosférico.

O jeito foi esperar uma hora na fila para botar o nome na fila e depois de uma hora de suplício conseguir sentar no bar de consolação térreo que o hotel possui .

E ficamos felizes lá. Uma mulher toda  tatuada que cantava muito bem Amy Winehouse, mesinhas bem espaçadas. Para as quarenta, basta drinks bacanudos com preços moderados, poltronas confortáveis e acepipes gordinhos (amo bolinhos).

Com a exceção da turma das recém separadas que almejam ver um boy  para paquerar,  a turma das quarenta desencanadas só precisa da trinca acima para se divertir.

Depois de 3 horas e meia de espera , conseguimos subir para o 23 andar do Seen, e lá, musiquinha dos anos 80 revisitada, ambiente mara, visão total de São Paulo e ambiente suntuoso e tomamos mais drinks (tivemos 2 horas para ficar lá porque o bar fechava em tese meia noite)

Neste meio tempo, deu para atualizar inúmeras fofocas, fazer amizade com o grupo vizinho sobre bebidinhas, redescobrir minha paixão por licores docinhos, minha amiga perder o anel milionário e achar ele graças a um grupo solidário que viu o tal muito longe de nós  (culpa do elevado grau etílico). E quase ficar para o café da manhã (já que estavam já arrumando o ambiente para tal).

Percebi também que mais velha, aproveito mais a noitada. Sem medo de julgamentos, faço amizades e puxo papo com quem me der um sorriso. Já to ficando a tia que as novinhas comentam que está carente. To nem aí! Depois de mais drinks então, todos são meus amigos.

E chegar à conclusão que depois de um longo período de confinamento, é bom demais sair e ver outras pessoas e encontrar as amigas todas montadas num ambiente bacanudo.

No dia seguinte, a conta veio: uma cabeça pesada por conta da mistura de bebidas (não façam isso meninas, não depois dos 40), um domingo meio de bode, respirando por aparelhos e esquecendo tudo pelo caminho.

Mas sobrevivi. E pronta para outra. Mitos derrubados das quarentas: a gente continua com um fogo no rabo enorme para sairmos e sermos vistas!