
Talvez tenham pessoas que vão revirar os olhos e me criticar por criticar estar em Paris em julho. Mas creio que este é um dos melhores e mais sinceros posts de dicas de viagem que posso dar a vocês
NÃO VIAJEM PARA A EUROPA NO MÊS DE JULHO. NÃO VIAJEM. NÃO.
NÃO VIAJEM.
Eu só cometi essa besteira porque minha mamis queria muito viajar para a Europa no dia do aniversário dela, e também passar longe o primeiro ano sem meu querido pai.
Por esses dois motivos mais bem do que justificados, juntamos nossos euros e nossa paciência e rumamos em uma viagem de 17 dias pela Europa.
Não vou dizer que a viagem foi ruim. França e Itália nunca são ruins.
Mas não é porque estou em solo europeu que vou passar pano pros gringos. Só isso. Se você puder evitar esses meses, faça-o.
A não ser que você tenha um budget muito polpudo para só passear de taxi, uber, transfers privados, reserva garantida em todos os restaurantes e atrações e hotéis 6 estrelas, você vai ter que ter uma paciência de jó e receber mais perrengues do que delícias de viagem.
Vou contar abaixo como foi minha viagem e a listinha de perrengues:
- Fomos para o sul da França, e fixamos base em Nice, o que seria ótimo para conhecer outras cidades vizinhas, como Cannes, ST Paul de Vince, o principado de Mônaco. A escolha foi boa, o período não. Estava fazendo 40 graus com sensação de 50 todos os dias. Todo dia eu passava fritando pela Promenade des Anglais e tava lá o letreiro luminoso: “danger canicule” que quer dizer perigo de temperaturas extremas.
Eu amo a França. Mas eles não estão preparados para esse calor. Mesmo hotéis 4 estrelas não tem ar condicionado que funcione nessa canicule toda.
Ao contrário dos Estados Unidos, que mete ar condicionado gelado em tudo, os franceses são contra esse artificio da humanidade, até para fins ecológicos. Por fim, eu quase desmaiei em supermercados, estações de trem, banheiros.
Sobre Nice: amei e volto. Em outro mês. Nice é uma cidade charmosa, com habitantes simpáticos e acolhedores ao turista, mais barato do que Paris. Farei um post à parte, porque Nice merece, e é uma festa, de dia e de noite.
Sobre Mônaco: passo. Minha mãe até gostou e ficou impressionada com o luxo todo e a quantidade de iates enormes, mas para quem não tem um iate a disposição, eu fritei em Mônaco naqueles ônibus turísticos maledetos (detalhe: sem ar condicionado na parte de baixo. Melhor fritar o cocorucho no sol da parte superior que pelo menos tem vento), com atendentes mal humorados, para um Principado que vive de isenção fiscal e glorias do passado.
Sobre Cannes: passo. Eu sou aficionada por cinema mas não vi graça em tirar foto com as celebridades estampadas num papelão no tapete vermelho . A cidade é bonita, limpa, charmosa, como qualquer outra cidade do sul da França.
- Sobre os trens na França: esse foi o inferno que passei em julho. Julho são as férias escolares dos europeus, dos brasileiros e de todo o mundo também. Filas infernais na estação de Nice (imagino como deve ser em Paris nessa época), absolutamente NENHUM atentende para nos ajudar, informações confusas e inexistentes em painéis (e olha que eu viajo bastante de trem pela Europa). O aplicativo de trens deles o SNCF ajuda, mas não indica os portões de embarque. Mesmo os franceses estavam perdidos e desorientados com tanto calor (na estação não tem vento nem ar condicionado).
E uma vez que você embarcou no trem, se prepare para horas de trem em pé , com várias pessoas com desodorante vencido (inclusive nós) . E cuidado com os pickpockets batedores de bolsas e carteiras. Não sofremos nada na viagem, mas vimos vários indivíduos com atitudes suspeitas, inclusive mulheres jovens e de aparência europeia.
- Por conta do calor e da quantidade de gente extrema, se não tiver como fugir da data e realmente ter que viajar em julho, eu recomendo fortemente que agende os passeios do Brasil mesmo. Você vai pagar mais caro com certeza. Mas valerá a pena.
Explico: em julho, não podemos nos dar ao luxo de decidir na hora o que fazer. Exemplo, decidimos ir para Cannes e outras cidades litorâneas, já que a praia de Nice é bem chinfrim. No final, vimos que era melhor pagar por um passeio com busão que nos pegasse no hotel (e com ar condicionado) que ia inclusive para Antibes e Saint Paul de Vince. Não conseguimos, apesar dos esforços do pessoal do hotel. Tudo lotado. Em outros meses, teríamos vagas de sobra. E realmente, encarar as filas, tumulto e calor do trem não é para qualquer um.
Em uma época mais vazia com clima mais ameno, eu jamais pegaria essas excursões turísticas. Eu sou muito mais da vibe free style, chega no lugar e decide o que fazer. Mas no meio de tanta gente, tanto cc, tanto calor, você quer se embrenhar na solução mais confortável mesmo.
- Preços superinflacionados: para se ter uma idéia: o pessoal do hotel de Paris nos deu até um espumante e uma mesa repleta de chocolates da Maison du Chocolat e Macarons de cortesia. Porque eles são fofos? Não. O manager foi até sincero em dizer que era um regalo diante do preço absurdamente alto que pagamos pela tarifa.
Prepare-se para pagar pelo menos o dobro de tarifas se ficar num hotel, ou encarar um AIRBNB em região suspeita.
- Calores extremos que nem minha mãe aguentou: eu vou ter que bater nessa tecla de novo. Tem gente calorenta como eu que reclama quando passa dos 30 graus. Minha mãe , por outro lado, é a friorenta mor, que dorme de meia, que traz jacas e japonas para todos os lugares, até no Caribe. MESMO ela não aguentou o calor de 46 graus que fez na Itália.
Para se ter uma idéia, pegamos um Navio em Civitavecchia (perto de Roma) e fizemos um cruzeiro de 7 noites pela Sicilia, Malta e Grécia (que vale um post a parte também futuramente). Em 5 dos 7 dias, o comandante repetiu exaustivamente nos auto falantes no navio de não sairmos para o ar livre antes das 16:30 hs. Quem se aventurou, ou por desaviso ou por insistência, acabou desmaiando na fila do bondinho de Santorini (do nosso navio, soubemos pelo menos de 5 pessoas), ou voltou brigado com o parceiro de viagem porque torrou no sol escaldante.
Como disse, tem gente que foi em julho e adorou. Que teve a sorte de pegar dias amenos, de ter um amigo emprestando o apto deles, de ter os esqueminhas de viagens. Para quem não tem e paga do bolso como eu, evite julho na Europa. Com as temperaturas a cada ano subindo nos continentes, suas férias serão o dobro de preju no borsinho e um terço do que poderia ter sido de prazer.