Agora que o caldo já entornou, já passei dos 40 anos faz tempo e já estou indo para o meu 42º. Aniversário este ano, posso me considerar uma quarentona vivida e digna de opinar sobre a passagem dos tão temidos 40 anos.

Há uma mudança significativa na sua vida? Na minha teve. Como qualquer passagem de tempo. No ano novo, dedicamos a data a fazer novas promessas, a mudar hábitos de vida, a correr atrás daquilo que nos faz feliz.

E principalmente: observar a mim mesma, tanto o meu corpo, minha mente, como minha forma de interagir com o mundo e com as pessoas.

Adoraria escrever que aos 40, a vida é a mesma que era aos 20, 30, mas não é não, mulherada. Eu ainda mantenho o título de 40 novos 20 no blog porque acredito piamente que os 40 de hoje são carregados de mudanças e nada tem a ver com as quarentonas de décadas anteriores.

Pensei muito na minha vida e também das vidas alheias de minhas amigas para compor um painel de conselhos para as futuras quarentonas, baseados nos 7 pecados capitais. Aqui vão alguns deles:

 

  • GULA

Não preciso elaborar muito. Aos 10, pesava 32 kgs, aos 20, 42 kgs, aos 30 50 kgs e aos 41, 57 kgs e levando uma mega bronca da minha querida médica.  Tô mais comilona? Sempre fui. Mas o metabolismo a partir dos 25 anos muda, gente. E depois dos 40, emagrecer só se for com muita disciplina da duplinha: fechar a boca e fazer exercícios.  Um chocolatinho vai direto para a celulite da sua bunda.  Aquele queijinho amarelo e cheio de buracos vai se apaixonar por você e não vai largar do teu corpo nunca mais. Esteja ciente disso e começa a criar vergonha na cara já aos 30 para não ficar que nem eu sofrendo com a balança agora aos 42 anos.

 

  • PREGUIÇA

Vale para a física, e para a mental principalmente.  Quase todas as minhas amigas quarentonas como eu, se arrependem de não ter usado o cérebro para questões mais profundas da vida há alguns anos atrás.

Explico: a gente gastou muita massa cinzenta procurando o melhor restaurante. Planejando viagens bafo. Indo atrás de muito boy magia negra.

Mas dedicou pouco tempo para ver se ia congelar seus óvulos. Se sua carreira estaria no Brasil ou no exterior. Se nunca gostou do que fazia e não era hora de dar uma mudança radical na carreira.

Com isso, não estou dizendo que a gente não tem que aproveitar o momento com coisas banais e triviais. Mas que hoje pagamos o preço de estarmos insatisfeitas com algumas decisões que deixamos de tomar há uma década atrás. A grande maioria, financeiramente. Se tivesse comprado o apartamento há 10 anos atrás antes da grande bolha de mercado. Se tivesse começado a poupar, teria hoje um ninho de segurança para mandar sua chefe à merda e ficar 1 ano no sabático. E por ai vai.

 

  • ORGULHO

Vale aqui uma breve orientação para este pecado: em inglês, é PRIDE, o que é mais condizente com a explicação do tal pecado capital. Eu vejo a palavra ORGULHO de forma muito positiva, o que é diferente de PRIDE.

Eu fiz algumas coisas na vida justamente para provar aos outros que eu podia e eu era a melhor, assim como várias de minhas amigas. Para assuntos diversos.

É diferente o ORGULHO de uma conquista que você fez na vida para você mesma. Eu consegui meu primeiro estágio numa multinacional sem ajuda de família. Isso é um orgulho da Porra e ninguém tira isso de você.

 

Agora, o ORGULHO do pecado capital, é quando você toma uma decisão na sua vida e no fim, essa decisão te deixa insatisfeita ou infeliz. E você decidiu não porque era o melhor para você, mas porque queria provar para sua família, seus amigos, seus inimigos que você era a melhor.

 

Eu digo: inveja dos outros não enche a sua barriga nem paga suas contas.

 

Eu conheço mulheres que casaram e abdicaram da carreira para acompanharem seus maridos executivos pelo mundo. Até aí, conheço algumas que são plenamente felizes. E conheço outras que postam imagens de felicidade no facebook, juras de amor eterno e nos ligam 2 horas da manhã para nos contar que estão quase cortando os pulsos.

Conheço  gente que não quer encerrar o negócio de sua família, e não dorme há mais de 1 mês pensando como vão pagar as contas do mês seguinte se não venderem um de seus imóveis.

Quero deixar claro aqui que não julgo e não sei o modelo perfeito de felicidade. Eu sou solteira e fechei minha empresa há 2 anos. Estou em paz por isso. Acho que estaria infeliz se mantivesse a empresa aberta para não ceder aos comentários  de terceiros e minando meu patrimônio. Acho que estaria infeliz se mantivesse um relacionamento sério com alguém que não julgo o certo para mim, só para fazer pose no facebook e provar pras amigas e pra família que não sou uma encalhada.

Conheço muita amiga casada e mãe, e realmente feliz. Outras, mais ou menos. Conheço lojistas que estão sim enfrentando a crise porque acreditam no seu negócio. Infelismente, conheço alguns mais do que gostaria, que estão minando seu patrimônio pelo orgulho. Para não se darem por derrotados perante o facebook, seu círculo social.

O orgulho é bom para lhe fazer crescer e não se contentar com pouco. Mas para fazer uma máscara de felicidade no facebook, é um preço caro que se paga.  Encerro aqui com o melhor conselho que recebi de uma desconhecida quando tive que tomar algumas decisões importantíssimas na minha vida: “ninguém vai pagar suas contas a não ser você.”