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Sem churumelas, mas  vamos colocar um pouco de realidade aqui no Blog: morar sozinha tem sim suas dores e delícias. Muito mais delícias que dores, mas elas surgem ocasionalmente.

Eu sou uma mulher saudável, difícil de adoecer. Vaso ruim não quebra. Mas vez ou outra, uma  dorzinha de barriga, uma enxaqueca, uma gripe me surge por aqui.

A última gripe forte que peguei foi em 2012, quando minha vó se despediu aqui  da Terra. Eu estava fragilizada emocionalmente porque sabia que ela estava para partir, e ainda peguei uma gripe desgraçada, como nunca antes me bateu. E gripe daquelas malditas, que te faz repensar o sentido da vida e a sua fragilidade como ser humano. Você se sente uma bosta. Você não tem forças para pensar, para levantar. Seu corpo inteiro dói. O apetite? Some completamente, e olha que para a Draga aqui isso é um acontecimento.

Quando eu ficava doente e estava na casa dos meus pais, minha mãe cuidava de mim. Fazia chazinho, dieta, comidinha quente, ficava repousando. Meu pai não fazia porra nenhuma, mas pelo menos ficava de 5 em 5 minutos perguntando se eu estava bem.

Quando você está você, você mesma e tu, e as mulheres que moram sozinhas vão me entender, você se sente mais só. Desprotegida. De repente, vem aquele medo de morrer subitamente, ou não ter forças para se levantar da cama, e ficar apodrecendo por 3 dias, até os pastores alemães ou belgas  do livro da Bridget Jones virem te devorar. Ou como no episódio de Sex and the City, quando a Miranda conversa com uma vizinha vovó que diz que acharam o corpo de uma solteirona  apenas uma semana depois que ela tinha morrido. Ninguém a visitava, ninguém ligava para ela.

Eu, por exemplo, trabalho por conta e faço home office. Falo com meus pais de 2 a 3 vezes por semana, e vou lá para visita-los a cada 2 semanas. Não tenho namorado, tenho amigos. Meus irmãos têm a vida deles e por isso falo com eles na mesma frequência que meus pais. Se deixar de responder um recado de qualquer um deles, família, pais, clientes, irmãos, amigos, eles vão ficar putos, mas não vão atrás. A realidade, é que se eu bater a cabeça na privada e cair dura no chão, é muito provável que eu seja descoberta só depois dos vizinhos reclamarem do mal cheiro de putrefação do corpo.

E sim, é muito provável que no velório, as tias, as primas, os exes, as inimigas e não tão inimigas assim vão comentar que só me acharam depois de 1 semana.

Bem, gente, é a vida. São suas escolhas. Viva-se com elas.

Agora que escrevi, estou melhor. Aceito isso. Há um preço a se pagar pela liberdade.

Mas ok, nunca gostei de pastores alemães. Talvez um Lulu da Pomerânia ou um gatinho, estes são phynnos e não vão devorar a própria mamãe.