Nos últimos meses postei no Blog as dores de quem  vive sozinha e é solteira nos seus quarenta e tantos anos.

Mas hoje vim contar uma (das ) delícias de ser solteira:  chateada de passar os últimos finais de semana e feriados enfurnada no meu apartamentinho em São Paulo , com medo da previsão do tempo que sempre dizia que era chuva certa e vendo todos meus amigos postarem fotos e selfies ensolaradas na praia, me deu 5 minutos de loucura (isso mesmo) e fiz uma reserva numa pousada numa praia do Litoral Norte de São Paulo.

A reserva foi de sábado para segunda. Eu decidi e reservei às 23:55 de uma sexta chuvosa.

Como já falei aqui no Blog, tenho o luxo pelo menos hoje de trabalhar remotamente e de forma mais espaçada graças a décadas de guardar dinheiro e trabalhar duro.

Então pude reservar até a segunda feira para fugir do imenso trânsito da volta do litoral de domingo.

Não chamei ninguém:  apenas levei minha atual companheira de viagens: minha imensa prancha de surf que com muito esforço, cabe no meu carro.

Saí num sábado ensolarado do sertão, enfrentei algumas horas de trânsito (aquela entradinha de Boracéia é o cão), e quando avistei a praia, abri as janelas sem medo de assalto, senti o mar marinho e coloquei a minha trilha sonora do Spotify no máximo.

Só minha prancha de surf testemunhou minha pavorosa versão cantando Ultraviolet do U2. Por 5 vezes seguidas.

Cheguei na pousada, quartinho já estava pronto, deixei minhas tralhas (ainda vou chegar no dia em que terei a sabedoria de ir apenas com uma mochilinha. Desta vez a tia  ansiosa aqui levou a tal mochilinha e mais 5 sacolas carregadas de cangas extras, toalhas, comidas, bebidas e adereços praianos.

Começou a dar uns pingos de chuva. DANE-SE. ESTOU NA PRAIA. (isso nem posso falar que foi olho gordo, porque nem cheguei a postar nada).

Fui para a praia. Pousada Mara, limpinha, e com serviço de praia. Cheguei  na praia e como um milagre (ou uma pequena peça do Seu Pedro pregada em mim) a chuva passou. Pedi para a tia da barraca guardar minha sacola, e fui feliz para o mar com minha prancha tomar uns tombos e uns caldos.

Voltei depois de 3 horas no mar, dedos enrugados de uma senhora de 120 anos e sorriso de uma menina de 15. Pedi uma água de coco, para hidratar. Depois, umas 3 cervejinhas para tirar aquela soneca de praia gostosa.

Em tempos de pandemia, sentir a brisa, molhar os pés na água, sentir o barulho das ondas é uma bênção . Eu sou uma mulher da cidade, mas ter contato com a natureza é algo muito forte para mim e uma certeza que quero viver muito ainda.

Andei a praia inteira. Vi festinhas clandestinas (sem julgamento) , 2 casamentos (sem inveja) e só gente simpática e vindo me comentar da minha enorme prancha.

Voltei pra pousada, e é uma delícia ter o quarto só para nós depois de uma viagem de fim de ano que tive que dividir uma superlotação com 4 pessoas no mesmo quarto. Eu amo viajar em grupo, mas  admito que dividir quarto pra mim é um sufoco.  Tem gente que não consegue ficar sozinha, eu amo de verdade.

Tomei meu banho demorado sem ter que se apressar, tirei toda a areia de buracos que nem imaginava ter no meu corpo, abri uma cervejinha e fiquei horas só na moleza. Apenas a fome e a vontade de ver as tendinhas de acessórios tradicionais que tem na rua principal me fizeram sair do meu refúgio maravilhoso.

Fui em todos os restaurantes, analisei todos os cardápios até no fim decidir que o que eu queria mesmo era um hamburguinho bem gordinho com refri e batata frita. E com churros de sobremesa.

Voltei feliz, barriguda, e sim devo ter roncado horrores.

Acordei (mais tarde do que gostaria porque tava uma delicia o quarto no ar condicionado a mil com todos os pinguins congelando), tomei aquele café maravilhoso de hotel e faço a louca mesmo. 5 pratos para sair mais bonito na foto e repito.

Fiz a mesma rotina do dia anterior. Só que surfei melhor, tomei mais uma batida dupla de maracujá, e tomei 2 sorvetes em vez do churros. E fiquei 2 horas na lojinha provando todos os vestidos de praia possíveis me imaginando em futuras viagens.

Na segunda feira, ainda de manhã deu tempo para

– tomar café da manhã maravilhoso

– ir pra praia e surfar 10 ondas maras

– conversar com um casal que queria fazer o filhinho  surfar (inspirei alguém)

– ri muito com o pessoal da barraca

– comprei mais uma canga de praia (ninguém é de ferro).

 – tomei minha água de coco do coco mesmo e não de garrafa plástica

E voltei na hora do almoço sem trânsito com a alma leve e feliz. E cantando as mesmas músicas da ida. Minha prancha não reclamou.

É gente, a vida talvez não é perfeita. Mas vale a pena.

Apenas isso. Um conto trivial. De felicidade pura.