
Pois é gente… o tempo passa… há 10 anos atrás eu inaugurava esse Blog.
2016. Eu estava prestes a encerrar um dos grandes capítulos de minha vida. Eu ia encerrar as atividades de minha empresa com minha família, após 22 anos trabalhando na mesma rotina. Segunda a sábado, repeat. Dirigia cerca de 3 horas por dia e não reclamava. Todos os dias acordando cedo, comendo no mesmo bandejão da empresa (o que não reclamo, pois era comida de verdade). E estava prestes a completar 40 anos.
Eu, uma futura quarentona, recém semi aposentada após 25 anos de intenso trabalho e rotina.
Procurei ajuda. Fiz coach (o que foi ótimo para mim), abri negócios novos, menores, mais fáceis de operacionalizar e que não exigiam deslocamento presencial constante.
Em 10 anos, muita coisa aconteceu na minha vida. Creio que para todo mundo, é a virada de chave. A menina definitivamente se torna mulher, o menino se torna homem de vez. Porque 30 né gente, temos ainda alguns resquícios de outrora xovens.
Em 10 anos eu fechei e abri novos negócios. Me arrependi de alguns, e outros obtive um sucesso que não imaginaria, pelo menos financeiro.
Em 10 anos eu tive meu primeiro relacionamento sério amoroso. Durou pouco e durou o que deveria durar. Valeu.
Em 10 anos, eu perdi o homem mais importante de minha vida: meu querido pai. Ele se foi depois de 4 meses lutando contra um câncer silencioso.
Em 10 anos eu entrei e saí de uma pandemia, como quase todos afortunados.
Em 10 anos eu fiz e desfiz amizades, algumas que achei que era para a vida inteira. Outra, que eu não dava nada, e se tornou grande companhia.
Em 10 anos eu fiz a primeira cirurgia da minha vida, a segunda. Tive que começar a tomar remédio diário (reposição de tireóide), o primeiro susto real de saúde de minha mãe e conhecidos da mesma idade, e os primeiros sinais da menopausa.
Em 10 anos eu tive a oportunidade real de formar uma família, e recusei. E vi minha janela final de ter filhos biológicos fechar, e estar de bem com isso.
Pois é , gente. Um furacão.
Sobrevivi. Surgiu uma outra Monica. Da quarentona, a nova cinquentona.
O blog vai continuar com esse nome porque não quero pagar dois domínios. E a idéia é que somos diferentes das nossas gerações anteriores. As possibilidades são outras.
Danada essa Internet. Devo admitir que nunca tinha ouvido falar de Gloria Steinem, uma escritora feminista e ativista.
Viveu 92 anos de muita glória e luta, virou ícone do feminismo, Achei o máximo sua história. Como jornalista, se disfarçou de coelhinha da Playboy durante 11 dias para expor as condições degradantes no império da revista do mesmo nome.
Como ativista, lutou por mais direitos para mulheres e pela inclusão da vida política e do mundo.
Ela decidiu não ter filhos e casou-se aos 66 anos. (Olha só pai, tenho ainda chances).
Já na casa dos 80 anos, ela viajava pelo mundo e se manifestava sobre questões importantes para ela, desde a mutilação genital até a reconciliação coreana, e sobretudo, a igualdade para as mulheres.
Chego agora aos 50 anos, mais segura de si, com alguns quilinhos a mais (maldita perimenopausa, mas tenho fé que perderei com esforço) e com gratidão de ter nascido num pais maravilhoso como o Brasil, que apesar de seus enormes defeitos, é um país livre, onde eu pude ser a mulher que escolhi ser. Graças também a minha família e sobretudo, a meu querido pai, que sempre me incentivou a ser quem eu realmente sou.
Estou curiosa para ver as próximas décadas. Venha 50. Tô pronta. Me acompanhem de mãos dadas. Tamo juntos. Beijo no coração. Aqui é curintia.