Eu lembro bem dos meus 20, 30 anos, algumas discussões com amigos meus sobre as diferenças entre homens e mulheres. 

E na esperança juvenil (para não falar da rebeldia tosca, simplesmente porque eu era muito xóvem para entender) de equiparar homens com mulheres, eu sempre neguei e rotulei essas diferenças como “machismo” e preconceito dos homens e das próprias mulheres.

Hoje, dos meus 40 e pouco anos, já vejo diferente. E certamente fica mais claro para mim que homens são realmente diferentes das mulheres (graças a Deus!) . E que o clichê é um clichê porque é verdade… fazer o quê.

Para mim, são estes 5 abaixo (o 4º. É surpreendente – brincadeirinha).

  1. Homens podem ficar a vida inteira tendo uma fuck buddy e está tudo certo.

Sim, temos inveja disso. Temos raiva. Tentamos fazer, e pá! Não conseguimos.

Em um episódio da série Sex and the City, a personagem mais liberal do quarteto, Samantha Jones,  tenta bancar a desencanada dormindo com seu ex. De novo, acaba com o coração partido.

Quem eu conheço que vai lá para dar uma de vez em quando com o boy ocasional, fica remoendo depois. Ou com as amigas ou as escondidas. Vejam bem: é diferente daquele boy delícia que você pegou uma vez na sua viagem ao Caribe e nunca mais o viu. One night stand vale e é digno.

Mas pegar aquele ex que se separou recentemente, e jurar para mim que é só para tirar as teias de aranha, não vem com esse papo comigo. Até porque depois somos nós, as amigas, que temos que emprestar as orelhas para as minhocações pós coito .

Não conseguimos. Pelo menos a grande maioria. Ou com aquele boy que não queremos namorar de jeito nenhum.  Ponto.

  • Somos mais sensíveis sim que os homens, em geral.

Sim, existem exceções. Como toda regra. E a regra é que as mulheres são mais sensíveis. A gente não consegue ser que nem eles. Eu adoro isso nos homens, e odeio que não consigo ser tão cool assim. Eles xingam entre eles, colocam apelidos terríveis, brincam com a sexualidade, o membro pequeno, os chifres na cabeça. E está tudo bem. Melhor, se existe essa brincadeira, é porque são Brothers mesmo.

A gente? Pode até passar uma piadinha. A gente finge um sorriso, mas guarda para mais tarde. Até o resto de nossas vidas.

Nisso, já seguramos muito choro, fingimos indiferença, choramos sozinhas no banheiro para ninguém ver.  Porque choro e sensibilidade era (e ainda é) sinal de fraqueza profissional.  Que pena. Para o mundo.

  • Somos mais inseguras

Sou obrigada a concordar neste quesito que o homem ganha de milhão da gente. No trabalho, ele se aplica a uma vaga que nós mulheres, demoramos anos para nos achar competentes.  Na paquera, eles vêm com toda a certeza do mundo, enquanto nós ficamos esperando.  Esperamos eles nos convidarem para sair, nos darem o primeiro sinal, e a mulher que toma a iniciativa é rotulada como desesperada.

Temos mais medo sim. Temos mais síndrome de impostora, temos mais medo de sermos julgadas, desmascaradas, humilhadas.

Temos um longo caminho pela frente, mulherada. Menos vergonha na cara e mais peito (com ou sem silicone) pro que der e vier.

  • Lutamos mais pelo relacionamento (o nosso e o alheio), mesmo quando não é a coisa certa a se fazer

Tai uma coisa que tem 2 faces: o do bem, quando a persistência é válida, e o do capeta, quando fazemos para nós e para as outras tentativas que podem nos levar à ruína. Explico para os boys, porque as mulheres já devem saber:

Via de regra, a mulher sempre tenta salvar um relacionamento, um casamento. Pode ser que ela esteja certa em algumas situações, e vá lá.

No meu caso, a insistência feminina em salvar um relacionamento me atrapalhou. Explico: eu namorei por 1 ano com um cara que no início era muito bacana. Mas depois de uns 8 meses, a coisa mudou da água pro vinho. Acabou o carinho, virou um pesar.

As minhas amigas (e são amigas, não inimigas) todas disseram para eu ser mais compreensiva, mais parceira, mais amiga, mais relevante.

Tudo era culpa minha. Não do boy.

Demorei para tomar a decisão. Depois de 4 meses, terminamos. E na minha cabeça, influenciada pela opinião alheia da mulherada, eu tive minha culpa no término. Não fui carinhosa o bastante. Enxerguei coisa que não existe.  Fui dura demais.

Demorou para eu perceber, até pelos relacionamentos posteriores do boy, que o problema sempre esteve nele basicamente.

E que eu não era a vilã da história. Não, eu não inventei situações, elas ocorreram. Não, eu não exagerei.

E o pior? Depois que acaba, elas começam a falar os podres do boy e disse: melhor para você… vai entender as mulheres.

Já os homens ganham da gente neste quesito. Se está bom, legal, vai em frente. Se não está, termine. E fim de choro.

  • Somos mais responsáveis

Vamos falar bem da mulherada também, né? Apesar que o fato de sermos mais sensíveis eu julgo como uma grande qualidade, mais do que fraqueza.

Acho que isso vem da natureza. Somos mais leoas, somos mais cuidadosas, somos mais pé no chão. A nossa falha como insegurança também vem do fato de sermos mais responsáveis e menos atiradas.

Não sou apenas eu que falo, e sim as estatísticas. O nosso redor.

A maioria das mulheres não abandona seus filhos. Mas muitos homens sim.

Tem exceções? Tem exceções. Uma delas, no meu prédio. O homem cria o filho sozinho, porque a mulher se mudou para outro país e não queria a guarda. O Homem é considerado um anjo, e a mulher, um demônio. Engraçado que esse julgamento não acontece com os tantos homens que conheço (infelizmente amigos meus até) que se separam, e a vida continua com a futura mulher e seus futuros novos filhos. Os antigos, viram pesar, viram motivo de briga de pensão, viram desconhecidos.

De todos os amigos que conheço, a maioria são mulheres que cuidam de seus pais, de seus irmãos, de seus sobrinhos. Existem as exceções maravilhosas, que vamos dizer, não deveriam ser exceções.

Na pandemia vejo muitos casais brigando: quando o casal trabalhava em tempo integral, havia babás, havia empregadas. Agora, eles têm que se desdobrar para o trabalho doméstico que não pode ser terceirizado. A mulher geralmente não deixa a peteca cair. Quer que os filhos sejam amados, que estudem e que possam comer regrado. O homem? Deixa pra lá… tudo.

Nisso, vocês homens, tem muito o que aprender com a gente. Por sorte, a mulher tem um misto de responsabilidade e persistência que vocês ainda podem se escorar para fugir da criação dos filhos. Mas estamos mudando. Aos poucos. Mudem vocês também.